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Anders Bateva

Buscando o porquê das coisas em livros de não-ficção.

Anders Bateva

Buscando o porquê das coisas em livros de não-ficção.

Superinteressante - Alcoolismo: malefícios para a saúde

Fonte: Carol Castro. Superinteressante, edição especial "A Revolução da Maconha: o mundo começou a ver a planta de outro jeito. Entenda por quê.", 2014. Artigo "Mitologia Canábica: nem tudo que se diz por aí sobre os males da maconha para a saúde é verdade. Saiba o que diz a ciência sobre algumas das afirmações mais comuns - e falsas - sobre a erva".

Todos os problemas são decorrentes do uso quase diário ao longo de anos, a não ser no caso do item "comportamento violento".

Sistema cardiovascular
Fator de risco importante para:
Doenças mentais
Aumenta em oito vezes a incidência de doenças psicóticas em homens.
Em mulheres, três vezes.
Gravidez
Causa síndrome alcoólica fetal, quadro que inclui retardo mental, limitações de crescimento e diversas deformações na face. Mais comum no caso de consumo pesado no primeiro trimestre de gestação, mas não há dose segura.
Fígado
Produz:
Principal causa de mais de 30% dos casos de câncer hepático.
Pâncreas
Causa de cerca de 70% dos casos de pancreatite. A versão aguda pode ser fatal.
Sistema reprodutor
Fator de risco de disfunção erétil.
Reduz a fertilidade de homens e mulheres.
Câncer
Causa comprovada de diversos tipos de câncer:
Sistema respiratório
Causa alterações nos alvéolos que podem causar síndromes respiratórias agudas em caso de pneumonia.
Comportamento violento
Pode ser relacionado à maior agressividade, especialmente em pessoas com tendência para reprimir sentimentos negativos.
Está associado à violência doméstica em diversos estudos.

Fontes

  • Robert O'Shea e outros. Aasld Practice Guidelines, Alcoholic Liver Disease (2010);
  • Arthur Klatsky. Alcohol and Cardiovascular Health (2010);
  • M. Herreros-Villanueva e outros. Alcohol Consumption on Pancreatic Diseases (2013);
  • Robert Gable. Comparison of Acute Lethal Toxicity of Commonly Abused Psychoactive Substances (2004);
  • A. Bortolotti. The Epidemiology of Erectile Disfunction and its Risk Factors (2003);
  • A.Y. Tien. Epidemiological Analysis of Alcohol and Drug Use as Risk Factors for Psychotic Experiences (1990);
  • K.R. Muthusami. Effect of Chronic Alcoholism on Male Fertility Hormones and Semen Quality (2005);
  • Jan Eggert. Effects of Alcohol Consumption on Female Fertility During an 18-Year Period (2004);
  • OMS. Alcohol and Mental Health Fact Sheet;
  • Paolo Boffetta. Alcohol and Cancer - Review (2006);
  • Thor Norström. Alcohol, Suppressed Anger and Violence (2010).

Karl Popper: dogmatismo versus criticismo

Fonte: Alberto Oliva. Entre o Dogmatismo Arrogante e o Desespero Cético: a Negatividade como Fundamento da Visão de Mundo Liberal, Instituto Liberal, Rio de Janeiro, 1993. Capítulo I: "O Embasamento Epistemológico do Liberalismo". Seção 2: "Concepção negativa de conhecimento".

O justificacionismo: evidência positiva

Como é notório, desde o alvorecer da Filosofia Grega tem predominado, com as conhecidas exceções, tradições gnosiológicas justificacionistas. Consoante o justificacionismo (CF. Lakatos, 1977, p. 94-95), só podemos qualificar de conhecimento o sistema demonstrativamente certo (via razão) ou a explicação empírica forjada a partir de uma base observacional pura e teoricamente neutra (via registro perceptual do imediatamente dado). Destarte, as vertentes justificacionistas identificam, na "certeza" provida pela demonstração lógica e na fidedignidade decalcadora do registro observacional, a base rochosa do conhecimento.

Quando se trata da busca de conhecimento empírico, de lidar com questões fatuais, o justificacionismo acredita que a evidência positiva seja capaz de tornar verdadeira, ou ao menos provável, uma alegação de conhecimento. Nesse sentido, todo o processo de justificação do sistema interpretativo a que se pretende dar o estatuto de conhecimento se estriba na coleta de informações positivas capaz de ensejar sua aceitação universal. Sendo assim, credita-se à evidência favorável, quando recolhida de forma inconcussa e em quantidade suficiente, o poder de decretar legitimamente a verdade (ou a probabilidade) do sistema teórico proposto.

[...]

Uma teoria de conhecimento modesta: evidência negativa

A constatação de que a evidência positiva revela-se inconclusiva na determinação da verdade de enunciados de universalidade irrestrita - os que têm a forma "Todos os A são B", em que Todos abarca casos reais constatados e possíveis ainda por constatar - teve importância ainda mais decisiva na construção de uma teoria do conhecimento modesta. "Modesta" aqui significa: rigorosamente atenta às limitações da Razão e à precariedade dos procedimentos de justificação com os quais podemos contar na avaliação de nossos sistemas interpretativos. Afinal, se não há como falar de verificação (cabal e definitiva) de leis científicas, por corresponderem, em termos de sua forma lógica, a enunciados de universalidade irrestrita, com uma infinidade de instâncias potenciais, enquanto só é exequível a realização de um número finito de observações positivas com vistas a definirmos seu valor-de-verdade, como deixar de ser epistemologicamente humilde? Esse grave defeito da metodologia verificacionista, estribada na evidência positiva, levou Popper a enunciar um critério de avaliação epistêmica que se mostrasse capaz de dar conta dos universais categóricos; sua conclusão: só têm poder de assinalar um valor-de-verdade à universalidade nômica os procedimentos avaliativos que conferem papel decisivo à evidência negativa:

A diferença fundamental entre meu enfoque e o "indutivista" reside no fato de que enfatizo argumentos negativos, tais como instâncias negativas ou contra-exemplos, refutações e tentativas de refutação - em resumo, a crítica - ao passo que o indutivista dá destaque às "instâncias positivas", a partir das quais faz "inferências não-demonstrativas" (...)
(Popper, 1986, p. 20)

Os paradoxos a que conduz a Teoria da Confirmabilidade e a inconclusividade exibida pela evidência positiva para efeito de verificação de hipóteses universais deram a Popper a convicção de que não podemos, justificadamente, apregoar a verdade de um sistema explicativo. Podemos, quando muito, desvencilhar-nos daquele que se revelar falso, com base em evidência que contra ele conseguimos amealhar. Jamais reunimos condições que nos permitam proclamar que uma teoria é Verdadeira, pois, mesmo quando muita e significativa evidência fala a seu favor, não é decisiva. Além disso, a evidência favorável possui caráter redundante - sobretudo a partir do acúmulo de um certo número de instâncias - que a torna ineficaz no processo de avaliação das chamadas generalizações essenciais. Registre-se ainda que, para Popper, a atitude dogmática se confunde nitidamente com a postura que se dedica à verificação de nossos sistemas explicativos em detrimento da atenção a eventuais falsificadores potenciais. Já a atitude crítica, pelo destaque que confere aos contra-exemplos, se propõe a rigorosamente testá-los através de implacáveis tentativas de refutá-los (Popper, 1989, p. 50).

A comprovação de que a evidência adversa tem o poder de se pronunciar decisivamente sobre a universalidade nômica se mostrará estruturadora da filosofia da ciência popperiana e marcará o nítido afastamento dos modos tradicionais de justificação de nossas alegações de conhecimento.

(...) um sistema deve ser considerado científico apenas se faz asserções que podem conflitar com observações; e um sistema é de fato testado por tentativas de produzir esses conflitos, isto é, por tentativas de refutá-lo.
(Popper, 1989, p. 256)

[...]

Abandonado o velho justificacionismo, a única postura cabível é a que se empenha em se desfazer das teorias que conflitam com observações, ou a que se devota à escolha da teoria, em contraposição a outra(s) que encerram maior conteúdo de verdade, menor conteúdo de falsidade e igual ou maior capacidade explicativa. Não aprendemos porque chegamos à verdade, e sim por percorremos diligente e criticamente o penoso e interminável caminho da eliminação de erros. Se não há a verdade a alcançar, há falsidades a eliminar. E entender que aprender é aprender a desvencilhar-se de erros equivale a assumir a postura humilde de que não há teoria capaz de assenhorear-se da realidade (investigada) como sua verdade:

Não podemos justificar nossas teorias, mas podemos racionalmente criticá-las, e tentativamente adotar as que parecem melhor suportar nossa crítica e que encerram maior poder explicativo.
(Popper, 1986, p. 265)
(...) não podemos estabelecer ou justificar o que quer que seja como certo, ou mesmo como provável, mas apenas contentarmo-nos com teorias que suportam a crítica.
(Popper, 1971, p. 379)

[...]

Liberalismo

O negativismo epistemológico, sistematicamente formulado por Popper, pode ser visto como o embasamento crítico das posições que o Liberalismo mais consistente assume frente aos problemas substantivos. [...] As mais fundamentadas posturas liberais frente a temas candentes como o da natureza e significado da liberdade, da justiça, do Estado, da felicidade, etc. pressupõem essa teoria do conhecimento humilde que dá primazia à impossibilidade de se chegar à Verdade que faz da história do conhecimento não a ascensão em direção à explicação definitiva, e sim um sinuoso roteiro de eliminação de erros. Ter consciência das limitações da razão, da inexistência de procedimentos de justificação capazes de levá-lo à Verdade, faz com que o liberal reitere diuturnamente o princípio da modéstia epistemológica: a ignorância é infinita, o saber finito.

Nesse sentido, o liberalismo adota uma teoria do conhecimento que se situa nos antípodas das que, assegurando a conquista da verdade, prometem a completa remodelação da realidade com base na explicação última desveladora dos determinantes ocultos que escapam ao senso comum preso às enganosas erupções do imediatamente dado. [...] O liberalismo repele os grandiloquentes projetos de Engenharia Social não por esposar, como sustentam muitos de seus críticos, uma empedernida posição conservadora, e sim por ter constatado, ao nível da teoria do conhecimento, que nenhum de nós dispõe de um saber tão completo capaz de nos permitir a tudo racionalmente alterar e de oferecer a garantia de que chegaremos necessariamente a melhores resultados.

Referências

  • LAKATOS, I. (1977). Falsification and the methodology of scientific research programs. In LAKATOS, I.: Criticism and the Growth of Knowledge. Cambridge University Press, 1970.
  • POPPER, K. R. (1971). The Open Society and its Enemies. New Jersey: Princeton University Press. v.2
  • POPPER, K. R. (1986). Objective Knowledge: an evolutionary approach. Oxford: Clarendon Press.
  • POPPER, K. R. (1989). Conjectures and Refutations. London: Routledge and K. Paul.

Economia planificada, um fiasco

Fonte: RationalWiki (artigo de bronze).

Você consegue forçar pobres pedintes em fábricas para que produzam mais produtos, mas um fazendeiro não consegue forçar o solo a produzir. Ele não pode pregar Marx para o tempo, de forma que chova na hora certa. E desconhece-se, em toda a União Soviética, um dia sequer aonde o Sol tenha dado ouvidos à economia de Joseph Stalin.
—Leonard Wibberley, The Mouse that Roared

Uma economia centralizada, também chamada de economia planificada, é um modelo econômico aonde uma autoridade central coerce à ponta do fuzil informa às fazendas, fábricas, escolas e companhias:

  • quais e quantos bens, serviços, e profissionais produzir;
  • onde distribuí-los e quem poderá recebê-los;
  • quais serão seus preços e valores, de forma semi-arbitrária ('por decreto').

Para que estes processos sejam realizáveis em escala nacional, faz-se necessário controle centralizado com amplo alcance — tipicamente, possuindo controle total da indústria, educação, e trabalho, juntamente das maquinações internas requeridas para garantir, de cima-para-baixo, a obediência de cada engrenagem nesta máquina pessoa neste sistema.

Isto contrasta-se fortemente com o espectro de economias de livre mercado, onde cada indivíduo é teoricamente livre para decidir, em seus próprios termos, questões de produção e comércio.

Fracasso

'Planejada' não é equivalente a 'perfeita' alocação de recursos, nem alocação 'científica', nem mesmo alocação 'mais humana'. Significa simplesmente alocação 'direta', ex ante. Desta forma, é o oposto de alocação de mercado, que é ex post.
—Ernest Mandel, In Defence of Socialist Planning

A economia centralizada é conhecida por dois grandes feitos:

  1. por ter sido tentada em inúmeros regimes comunistas durante o Século XX;
  2. por eventualmente estagnar a economia e retardar o desenvolvimento do país.

Devido a esta capacidade, o modelo centralizado tem sido repetidamente o alvo de forte crítica de todos os lados do espectro político (com exceção de entusiastas do autoritarismo, em ambas as extremidades). Quem se identifica "de direita" critica este modelo devido a ele capar a livre iniciativa e os valores tradicionais, enquanto quem se identifica "de esquerda" protesta que a hierarquia centralizada inerente a este modelo não apenas vai contra a visão original do Marx a respeito de 'comunismo sem Estado', mas também confronta com força uma ampla gama de ideais socialistas desejados. As pessoas e instituições, ao longo de todo o espectro político, têm expressado veemente ceticismo em relação ao conceito Stalinista de entregar de bandeja todas as funções de auto-determinação econômica para um distante conchavo de "experts" politicamente intocáveis -- que na realidade de nada entendem.

Fora do contexto de início do desenvolvimento industrial, e de tempos difíceis de guerra, o modelo de economia centralizada nunca foi promovido por economistas que estivessem fora de ditaduras totalitaristas, tendo tal modelo adquirido um certo 'reconhecimento geral' em ser completamente ineficiente - a ponto de ser contraprodutivo - na gerência de qualquer economia em tempos de paz. Ao invés disto, as atuais disputas de macro-economia ficam entre doutrinários de livre-mercado (Escola Austríaca) e promotores de intervenção estatal (Keynesianismo), uma discussão bem distante dos terrenos fantásticos dos 'grandes saltos adiante' e 'planos quinquenais'.

Historicamente, dois grandes países a possuir econimias planificadas foram a China e a União Soviética. Embora demonstravelmente capazes de colher resultados a curto prazo — uma característica em comum com certo número de economias não-planificadas — ambos os experimentos foram, no fim das contas, afligidos por: perda de mobilidade social; grandes flutuações na disponibilidade de produtos e serviços; formação de mercados negros imensamente maiores que os que se formaram na época da Lei Seca nos EUA; pseudociência patrocinada pelo Estado; fomes (tanto intencionais quanto acidentais); devastação ambiental sem precedentes; falha humana sem limites; e insanidade ideológica generalizada.

Ao fim da década de 1970, a necessidade inadiável levou ambos países a remodelar suas economias. Enquanto a China é hoje ainda nominalmente comunista, sua economia diverge dramaticamente da auto-suficiência introvertida implícita nos velhos ideais (ao invés disto, expandiu-se fortemente em direção ao livre mercado internacional). Quanto à União Soviética, não mais existe — em parte, como resultado de sua economia planificada muito mais 'ideologicamente pura' ter se tornado completamente decrépita por essa exata razão. Exemplificando a falácia dos custos irrecuperáveis, mais de uma década ininterrupta mantendo o sistema vivo 'com ajuda de aparelhos' provou não surtir qualquer efeito na compensação das falhas sistêmicas que são endêmicas de enconomias planificadas.

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Superinteressante - maconha medicinal: aplicações

Fonte: Tarso Araujo. Superinteressante, edição especial "A Revolução da Maconha: o mundo começou a ver a planta de outro jeito. Entenda por quê.", 2014. Artigo "Tarja Verde: cada vez mais pesquisas confirmam a utilidade da maconha para o tratamento de uma grande variedade de doenças. Apesar de a lei brasileira prever o uso medicinal, a falta de regulamentação impede sua aplicação no Brasil."

As aplicações da maconha medicinal podem ser divididas em três níveis, segundo a qualidade das evidências disponíveis em cada caso.

Nível A: recomendação baseada em consistentes evidências científicas, com testes em pacientes
Nível B: recomendação baseada em evidências científicas limitadas, com testes em pacientes
Nível C: recomendação baseada em consenso médico ou pela prática clínica, sem testes em humanos
Futuro: possíveis recomendações, em fase de pesquisa básica

Fonte: JABFM - Journal of the American Board of Family Medicine.

Tikopia: sustentabilidade ecológica na Polinésia

Fonte: Peter Gelderloos, livro "A Anarquia Funciona". Editora Subta. Originalmente publicado em 2010 (inglês). À venda pela Editora Monstro dos Mares.

Tikopia, uma ilha no Pacífico habitada por um povo polinésio, traz um bom exemplo de uma sociedade descentralizada e anárquica que lidou com sucesso com problemas ambientais de vida e morte. A ilha tem somente 4,66 km² de área e possui 1200 habitantes. A comunidade existe sustentavelmente há três mil anos. Tikopia é coberta por pomares-hortas que imitam as florestas úmidas naturais. À primeira vista, a maior parte da ilha parece ser coberta pela floresta, embora só tenha sobrado floresta úmida em algumas partes íngremes da ilha. Tikopia é pequena o suficiente para que todos os seus habitantes tornem-se familiares com seu ecossistema inteiro. Ela também é isolada; assim, por um longo tempo, não se pôde importar recursos ou exportar as consequências de seu estilo de vida. Cada um dos quatro clãs tem um chefe, apesar de estes não possuírem poderes coercitivos e desempenharem um papel cerimonial de guardadores da tradição. Tikopia está entre as sociedades menos estratificadas socialmente das ilhas polinésias. Por exemplo, os chefes também têm de trabalhar para produzir sua própria comida. O controle populacional é um valor comum e é considerado imoral ter mais que um certo número de filhos.

Em um impressionante exemplo do poder desses valores compartilhados coletivamente e mantidos coletivamente, por volta do ano 1600 os habitantes da ilha tomaram a decisão de interromper a criação de porcos. Eles mataram todos os porcos da ilha, mesmo que a carne suína fosse uma fonte de alimento altamente valorizada, porque sustentar os porcos causava uma pressão muito grande no meio ambiente. Em uma sociedade mais estratificada e hierarquizada, isso poderia ter sido impossível, porque a elite provavelmente forçaria os mais pobres a sofrer as consequências do seu estilo de vida, ao invés de abandonar um produto de luxo muito estimado.

Antes da colonização e da desastrosa chegada dos missionários, os métodos de controle populacional em Tikopia envolviam contracepção natural, aborto e abstinência para os mais jovens – embora este fosse um celibato compassivo que correspondia mais a uma proibição da reprodução que do sexo em si. Os tikopianos também tinham outras formas de controle populacional, como o infanticídio – o que muitas pessoas em outras sociedades considerariam inadmissível – mas Tikopia ainda nos traz um exemplo perfeitamente válido porque, com a efetividade da contracepção moderna e das técnicas abortivas, nenhum outro método é necessário para uma abordagem descentralizada do controle populacional.

O aspecto mais importante do exemplo tikopiano é seu ethos: reconhecer viver em uma ilha em que os recursos eram limitados, de modo que aumentar sua população seria equivalente a um suicídio. Outras sociedades de ilhas polinésias ignoravam essa questão e acabaram extinguindo-se. O planeta Terra, neste sentido, também é uma ilha; nessa linha, precisamos desenvolver tanto uma consciência global quanto economias localizadas, de modo que possamos evitar exceder a capacidade do solo e permanecer atentas às outras coisas vivas com as quais compartilhamos esta ilha.

Referência

Lutero - "A Lei não foi Feita para o Justo": o Reino do Mundo versus o Reino de Deus

Fonte: Martinho Lutero. A Liberdade do Cristão. Editora Escala, São Paulo, 2007. Texto III: Da Autoridade Temporal e em que Medida se Deve Obedecer a Ela; Primeira Parte.

Terceiro - É necessário separar os filhos de Adão, os homens, em duas partes: uns, que são do reino de Deus e outros, que são do reino do mundo. Aqueles que fazem parte do reino de Deus são todos aqueles que, como verdadeiros crentes, estão em Cristo e submissos a Cristo. [...] Ora, vejam: esses não têm necessidade da espada nem das leis temporais. E se o mundo inteiro fosse feito de verdadeiros cristãos, isto é, de verdadeiros crentes, não seriam necessários nem seriam úteis os príncipes, os reis, os senhores, as espadas e as leis. De fato, que poderiam fazer com isso, porquanto levam em seu coração o Espírito Santo que os instrui e que faz com que não sejam injustos para com ninguém, que amem a todos e a cada um e suportem de bom grado e com alegria, da parte de todos e de cada um, a injustiça, até mesmo a morte? Se suportamos tudo o que é injusto e se fazemos somente o que é justo, não haverá necessidade de disputas, querelas, tribunais, juízes, castigos, leis nem espada. É por isso que é impossível que a espada e a lei temporais encontrem algo a fazer entre os verdadeiros cristãos, visto que fazem por si mesmos muito mais do que podem exigir todas as leis e doutrinas. É nesse sentido que Paulo diz na 1ª Carta a Timóteo, I, 9: A lei não foi feita para o justo, mas para os injustos.

Por que isso? Porque o justo, por sua própria conta, faz tudo e até mais do que todas as leis exigem, ao passo que os injustos não fazem nada de justo e é por isso que têm necessidade da lei, para instruí-los, para obrigá-los e pressioná-los a agir corretamente. Uma árvore boa não tem necessidade de ensinamentos nem de lei para produzir bons frutos; pelo contrário, é sua própria natureza que faz com que, sem lei nem doutrina, produza os frutos que correspondam ao que ela é. De fato, seria bem tolo, acredito, o homem que, para uma macieira, elaborasse um livro cheio de leis e decretos, prescrevendo-lhe de produzir maçãs e não espinhos. A árvore não o faz por sua natureza própria melhor do que o homem lhe pudesse descrever e ordenar por meio de todo tipo de livros? Assim também, com relação ao espírito e à fé, está realmente na natureza dos cristãos agir bem e de modo justo, melhor do que se pudesse lhes ensinar por todo tipo de leis. Não necessitam para si mesmos nem de leis nem de decretos.

A isso se poderia objetar: Por que, pois, Deus deu tantas leis a todos os homens e por que, no Evangelho, Cristo dá tantos ensinamentos sobre o que se deve fazer? - Sobre este assunto já escrevi muito em meus Sermões (Kirchenpostille) e em outros locais. Por ora, vou dizer brevemente isto: quando Paulo diz que a lei foi dada para os injustos, isso signfica que aqueles que não são cristãos são eximidos exteriormente das más ações pela coação da lei, como veremos mais adiante. Ora, visto que nenhum homem é por natureza cristão ou homem de bem, mas que, ao contrário, todos são pecadores e maus, Deus põe obstáculos a todos pela lei, a fim de que não tenham a audácia de pôr em ação sua maldade segundo seus caprichos nas obras exteriores.

[...]

Quarto - Fazem parte do reino do mundo ou se colocam sob sua lei todos aqueles que não são cristãos. Visto que muito poucos crêem e que somente a minoria se comporta de maneira cristã, não resistindo ao mal, ou seja, não fazendo eles próprios o mal, Deus criou para os outros, ao lado da condição de cristão e do reino de Deus, outro reino e os submeteu à espada, a fim de que, por mais que o desejem, não possam agir segundo sua natureza má e a fim de que, se o fizerem, não possam fazê-lo sem temor, nem em toda tranqüilidade e com sucesso. Do mesmo modo que se acorrenta e se doma um animal feroz, para que não possa morder nem dilacerar segundo sua natureza, por mais que o deseje, assim também um animal dócil e domesticado não tem necessidade disso e é inofensivo, mesmo sem correntes ou laços.

Na verdade, se assim não fosse, visto que todos são maus e que se encontra apenas um verdadeiro cristão entre mil seres humanos, eles se devorariam mutuamente, de modo que não haveria ninguém capaz de mostrar às mulheres e às crianças como se alimentar de Deus e como servi-lo; e o mundo se tornaria um deserto. É por isso que Deus instituiu os dois reinos: o espiritual que, pelo Espírito Santo e sob a lei de Cristo, faz cristãos e homens de bem; e o temporal, que obstaculiza os não-cristãos e os maus, a fim de que sejam obrigados, por obrigações exteriores, a respeitar a paz e a ficar tranqüilos, quer queiram quer não. Essa é a interpretação que são Paulo dá, na Carta aos Romanos, XIII, da espada temporal, ao dizer que essa espada não deve ser temida para as boas ações, mas para as más. E Pedro diz que foi instituída para que a vingança atinja os maus.

Se alguém, portanto, querendo governar o mundo segundo o Evangelho, optasse por suprimir toda lei e toda espada temporais, sob pretexto de que todos são batizados e todos são cristãos, para os quais o Evangelho não prevê nem leis nem espada, porquanto não são necessárias, o que faria esse, pergunto? Libertaria de seus laços e de suas correntes os animais ferozes, permitindo-lhes assim de morder e dilacerar a todos e a cada um, e julgaria, além do mais, que são gentis animais realmente meigos e domesticados. Mas eu sentiria em minhas feridas o que eles realmente são. Assim, os maus, acobertados pelo nome de cristãos, assumiriam a liberdade evangélica e cometeriam suas patifarias dizendo que são cristãos e, desse modo, não estariam sujeitos a nenhuma lei, a nenhuma espada, como já o fazem em nossos dias certos loucos e furiosos.

A esse homem seria necessário dizer: 'Certamente, é verdade que os cristãos não são por si mesmos sujeitos a nenhuma lei ou espada e não tem necessidade delas. Mas olhe à sua volta e comece a fazer com que o mundo fique repleto de verdadeiros cristãos, antes de pretender governá-los de modo cristão e segundo o Evangelho.' Mas jamais haverá de chegar a isso, porque o mundo e o povo em geral são e continuam não-cristãos, embora sejam todos batizados e levem o nome de cristãos. Quanto aos cristãos (como se diz) habitam distantes uns dos outros. Aí está porque é impossível que um reino cristão se estenda pelo mundo inteiro e mesmo num só país ou num grande número de pessoas. De fato, há sempre mais pessoas más que pessoas de bem. É por isso que tentar governar todo um país ou o mundo com o Evangelho é como se um pastor colocasse juntos, no mesmo estábulo, lobos, leões, águias e ovelhas, e deixasse cada um deles andar livremente no meio dos outros e dissesse: Comam, sejam bons e pacíficos entre todos; o estábulo está aberto; têm alimento suficiente; não devem temer nem os cães nem o cajado. Sem dúvida, as ovelhas observariam a paz e se deixariam assim pastar e governar pacificamente; mas não viveriam muito tempo e não restaria nem uma só delas.

É por isso que é necessário distinguir cuidadosamente esses dois reinos e fazer com que subsistam os dois: um, que torna bom e o outro, que cria a paz de maneira exterior e que dificulta as más ações. No mundo, nenhum dos dois é suficiente sem o outro, pois, sem o reino espiritual de Cristo, ninguém pode tornar-se bom diante de Deus somente por meio do reino temporal. Assim, o reino de Cristo não se estende sobre todos os homens; os cristãos são sempre a menor parte e estão no meio dos não-cristãos. Ora, onde só governa o reino temporal ou a lei, ali só pode haver hipocrisia, mesmo que se tratasse dos próprios mandamentos de Deus. De fato, sem o Espírito Santo no coração, ninguém se torna verdadeiramente bom, por mais obras boas que possa realizar. Onde, porém, só o reino espiritual governa o país e as pessoas, a rédea é afrouxada para a maldade e é dado livre curso a toda velhacaria, pois o mundo comum não pode admitir isso nem compreendê-lo.

Ora, é nisso que se vê que intenção há nas palavras de Cristo, na passagem do Evangelho de Mateus V, que citamos há pouco, e que dizem que os cristãos não devem reclamar seus direitos nem ter entre eles a espada temporal. Propriamente falando, só o diz para seus caros cristãos; e somente eles fazem suas essas palavras e agem de acordo com elas; não fazem delas "conselhos", como os sofistas. Pelo contrário, em seu coração, por intermédio do Espírito Santo, são feitos assim por natureza e não causam mal a ninguém, estando dispostos a suportar o mal que vier de outrem. Se o mundo fosse composto somente de cristãos, essas palavras lhe diriam respeito por inteiro e agiria em conformidade com elas. Ora, como é composto também de não-cristãos, essas palavras não se referem a ele e não age em conformidade a elas. Ao contrário, o mundo faz parte do outro reino, daquele no qual os não-cristãos são obrigados à paz e ao bem por imposições exteriores.

É por isso também que Cristo não carregou a espada e não instituiu uma em seu reino. Porque ele é um rei que reina sobre cristãos e governa sem lei, unicamente por meio de seu Espírito Santo. E, embora tenha confirmado a espada, ele próprio não fez uso dela, pois, a espada não serve para nada em seu reino, onde só há pessoas de bem. É por isso que outrora Davi não teve o direito de construir o templo, porque tinha derramado muitas vezes o sangue e tinha carregado a espada (Ver 2º Livro de Samuel, capítulo VII; e 1º Lvro dos Reis, V, 17). Não que não tivesse razão se o construísse, mas porque não podia ser uma prefiguração de Cristo pelo fato de que este devia ter um reino de paz, sem espada. Em contrapartida, é a Salomão - ou seja, Friedrich ("rico de paz": rich = rico, fried = paz) ou Friedsam ("cheio de paz", "pacífico"), em alemão - que devia caber a responsabilidade de executar essa obra, porque tinha um reino de paz, pelo qual o verdadeiro reino de paz de Cristo, o verdadeiro "Friedrich" e o verdadeiro "Salomão" podia ser prefigurado. [...]

É isso que querem dizer os profetas, no Salmo 109: Teu povo será feito de voluntários e em Isaías I, 9: Não se matará nem se causará dano algum em toda a minha montanha santa; e ainda em Isaías II, 4: De suas espadas forjarão pás de arados e de suas lanças, foices. Uma nação não desembainhará mais a espada contra outra e ninguém mais se exercitará para a guerra. Quem quisesse estender essas palavras, e outras semelhantes, a todos os locais onde o nome de Cristo é citado, esse compreenderia a Escritura pelo avesso, pois elas são ditas unicamente a respeito dos cristãos que, certamente, se comportam entre si em conformidade com elas.


Fonte: Martinho Lutero. A Liberdade do Cristão. Editora Escala, São Paulo, 2007. Texto III: Da Autoridade Temporal e em que Medida se Deve Obedecer a Ela; Segunda Parte.

Entretanto, poderiam dizer: Visto que não deve haver espada temporal entre os cristãos, como se pode, pois, governá-los exteriormente? É necessária, portanto que haja uma autoridade superior, mesmo entre os cristãos.

-- Resposta: Entre os cristãos não pode nem deve haver autoridade superior; pelo contrário, cada um é submisso a todos os outros ao mesmo tempo. Assim Paulo diz na Carta aos Romanos, XIII, 3: Que cada um tenha os outros como superiores a si próprio. E na 1ª Carta de Pedro, V, 5: Sejam todos submissos uns aos outros. É também o que Cristo quer, segundo o Evangelho de Lucas, XIV, 10: Quando o convidarem a bodas, tomo assento no último lugar. Não há entre os cristãos ninguém que seja superior aos outros, a não ser unicamente Cristo. Que espécie de autoridade pode haver, pois, quando todos são iguais e têm o mesmo direito, o mesmo poder, o mesmo bem e a mesma honra e quando ninguém cobiça ser superior aos outros, mas cada um quer ser subordinado aos outros? Certamente, onde houver seres desse gênero, seria impossível estabelecer uma autoridade superior, nem mesmo alguém haveria de querer, pois, sua maneira de ser e sua natureza não suportam ter um superior, uma vez que nenhum deles quer e pode ser superior. Mas onde não houver seres desse gênero, não há tampouco verdadeiros cristãos.

Bom Leitor vs Mau Leitor

Fonte: Ani Sobral Torres. Apostila "Metodologia Científica", Editora Sol, São Paulo, 2012. Unidade II, Capítulo 3: "Princípios de Metodologia Científica", Seção 3.2: "Leitura crítica".

A seguir, são apresentadas algumas dicas para leitura no contexto do mau e do bom leitor, segundo Salomon (1974).

Bom leitor

O bom leitor lê rapidamente e entende bem o que lê. Tem habilidades e hábitos como:

  1. Ler com objetivo determinado – exemplo: aprender certo assunto, repassar detalhes, responder a questões.
  2. Ler unidades de pensamento – abarca, num relance, o sentido de um grupo de palavras. Relata rapidamente as ideias encontradas numa frase ou num parágrafo.
  3. Tem vários padrões de velocidade – ajusta a velocidade da leitura com o assunto que lê. Se ler uma novela, é rápido. Se for um livro científico, para guardar detalhes, lê mais devagar para entender bem.
  4. Avalia o que lê – pergunta‐se frequentemente: que sentido tem isso para mim? Está o autor qualificado para escrever sobre tal assunto? Está ele apresentando apenas um ponto de vista do problema? Qual é a ideia principal desse trecho? Quais seus fundamentos?
  5. Possui bom vocabulário – sabe o que muitas palavras significam. É capaz de perceber o sentido das palavras novas pelo contexto. Sabe usar dicionários e o faz frequentemente para esclarecer o sentido de certos termos, no momento oportuno.
  6. Tem habilidades para conhecer o valor do livro – sabe que a primeira coisa a fazer, quando se toma um livro, é indagar do que trata mediante o título, subtítulos encontrados na página de rosto e não apenas na capa. Em seguida, lê os títulos do autor. Edição do livro. Índice. “Orelha do livro”. Prefácio. Bibliografia citada. Só depois é que se vê em condições de decidir pela conveniência ou não da leitura. Sabe selecionar o que lê. Sabe quando consultar e quando ler.
  7. Sabe quando deve ler o livro até o fim, quando interromper a leitura definitivamente ou periodicamente – sabe quando e como retomar a leitura, sem perda de tempo e sem perder a continuidade.
  8. Adquire livros com frequência e cuida de ter sua biblioteca particular – quando é estudante, procura os livros de textos indispensáveis e se esforça em possuir os chamados clássicos e fundamentais. Tem interesse em fazer assinaturas de periódicos científicos. Formado, continua alimentando sua biblioteca e restringe à aquisição dos chamados “compêndios”. Tem o hábito de ir direto às fontes; de ir além dos livros de texto.
  9. Lê assuntos vários – livros, revistas, jornais. Em áreas diversas: ficção, ciência, história etc. Habitualmente, nas áreas de seu interesse ou especialização.
  10. Lê muito e gosta de ler – acha que ler traz informações e causa prazer. Lê sempre que pode.
  11. O bom leitor é aquele que não é só bom na hora da leitura – é bom leitor porque desenvolve uma atitude de vida: é constantemente bom leitor. Não só lê mas sabe ler.

Mau leitor

O mau leitor lê vagarosamente e entende mal o que lê. Tem hábitos como:

  1. Ler sem finalidade – raramente sabe por que lê.
  2. Ler palavra por palavra – pega o sentido da palavra isoladamente. Esforça‐se para ajuntar os termos para poder entender a frase. Frequentemente, tem de reler as palavras.
  3. Só tem um ritmo de leitura – seja qual for o assunto, lê sempre vagarosamente.
  4. Acredita em tudo que lê – para ele, tudo que é impresso é verdadeiro. Raramente confronta o que lê com suas próprias ideias, experiências ou com outras fontes. Nunca julga criticamente o escritor ou seu ponto de vista.
  5. Possui vocabulário limitado – sabe o sentido de poucas palavras. Nunca relê uma frase para pegar o sentido de uma palavra difícil ou nova. Raramente consulta o dicionário. Quando o faz, atrapalha‐se em achar a palavra. Tem dificuldade em entender a definição das palavras e em escolher o sentido exato.
  6. Não possui nenhum critério técnico para conhecer o valor do livro – nunca ou raramente lê a página de rosto do livro, o índice, o prefácio, a bibliografia etc., antes de iniciar a leitura. Começa a ler a partir do primeiro capítulo. É comum até ignorar o autor, mesmo depois de terminada a leitura. Jamais seria capaz de decidir entre leitura e simples consulta. Não consegue selecionar o que vai ler. Deixa‐se sugestionar pelo aspecto material do livro.
  7. Não sabe decidir se é conveniente ou não interromper uma leitura – ou lê todo o livro ou o interrompe sem critério objetivo, apenas por questões subjetivas.
  8. Não possui biblioteca particular – às vezes, é capaz de adquirir “metros de livro” para decorar a casa. É frequentemente levado a adquirir livros secundários em vez dos fundamentais. Quando estudante, só lê e adquire compêndios de aula. Formado, não sabe o que representa o hábito das “boas aquisições” de livro.
  9. Está condicionado a ler – sempre a mesma espécie de assunto.
  10. Lê pouco e não gosta de ler – acha que ler é ao mesmo tempo um trabalho e um sofrimento.
  11. O mau leitor não se revela apenas no ato da leitura, seja silenciosa ou oral – é constantemente mau leitor, porque se trata de uma atitude de resistência ao hábito de saber ler.

Referência

  • SALOMON, D. V. Como fazer uma monografia: elementos de metodologia de trabalho científico. 4 ed. Belo Horizonte: Interlivros, 1974.

Maquiavel: mundo ideal vs mundo real

Fonte: Nicolau Maquiavel. O Príncipe - 15ª edição - 1996 - Editora Paz e Terra. Capítulo XV: "As qualidades pelas quais os homens, sobretudo os príncipes, são louvados ou vituperados".

Como tenho a intenção de escrever algo útil para quem a queira entender, pareceu-me conveniente ir atrás da verdade efetiva da coisa, ao invés da imaginação. Muitos imaginaram repúblicas e principados que nunca se viu nem se soube que fossem verdadeiros, por serem tão diversos de como se vive para como se deveria viver.

Mas, aquele que deixa o que se faz pelo que se deveria fazer aprende a se arruinar em vez de se preservar. Pois o homem que queira professar o bem em toda parte é natural que se arruíne entre tantos que não são bons.

Para um príncipe que queira se manter, então, é necessário aprender a poder ser não-bom, e usar ou não usar isso, conforme precisar.

Descartes: PT versus PSDB

Fonte: René Descartes. Livro "Discurso do Método para Bem Conduzir a Própria Razão e Procurar a Verdade nas Ciências", Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 2011. Primeira parte.

O bom senso é a cousa mais bem-repartida deste mundo, porque cada um de nós pensa ser dele tão bem-provido, que mesmo aqueles que são mais difíceis de se contentar com qualquer outra cousa não costumam desejar mais do que o que têm. Não é verossímil que todos se enganem; ao contrário, isto mostra que o poder de bem julgar e de distinguir o verdadeiro do falso, que é propriamente o que se chama o bom senso ou a razão, é naturalmente igual em todos os homens; e, assim, a diversidade de nossas opiniões não resulta de serem umas mais razoáveis do que outras, mas somente de conduzirmos nossos pensamentos por diversas vias, e de não considerarmos as mesmas cousas. Porque não basta ter o espírito bom, o principal é aplicá-lo bem. As grandes almas são capazes dos maiores vícios como das maiores virtudes; e os que andam lentamente podem avançar muito mais, se seguirem o caminho direito, do que os que correm e dele se afastam.

Nota do tradutor (João Cruz Costa): Descartes considera o bom senso na sua origem, antes de sofrer as deformações do seu mau emprego.

Correios: selos de 2019

EditalDataNome

Valor facial

Tiragem

104/fevCentenário do Nascimento do Professor Fernando Figueira

1º Porte Comercial

300.000

221/marSignos do Zodíaco: Áries

1º Porte Não-Comercial

240.000

327/marHomenagem ao Músico e Poeta Renato Russo

2º Porte Comercial

70.000

421/abrSignos do Zodíaco: Touro

1º Porte Não-Comercial

240.000

530/abrCentenário da Sociedade Philatelica Paulista/SPP

R$1,30

20.000

R$1,95

20.000

R$1,30

20.000

621/maiSignos do Zodíaco: Gêmeos

1º Porte Não-Comercial

240.000

729/maiCentenário do Eclipse Solar em Sobral/CE

R$ 2,15

240.000

805/junSérie Mercosul / Meio Ambiente: Diversidade de Fungos

R$ 1,60

240.000

913/junSérie 200 Anos da Independência do Brasil:Bicentenário do Retorno de José Bonifácio aoBrasil

R$ 2,15

180.000

1021/junCentenário do Nascimento do Cantor Nelson Gonçalves

1º Porte Não-Comercial

200.000

1121/junSignos do Zodíaco: Câncer

1º Porte Não-Comercial

240.000

1220/julHomenagem aos Imortais da Academia Brasileira de Letras (ABL):Machado de Assis e Joaquim Nabuco

2º Porte Não-Comercial

120.000

1320/julHomenagem à Chegada do Homem à Lua

R$ 3,75

240.000

1422/julSignos do Zodíaco: Leão

1º Porte Não-Comercial

240.000

1523/julSérie Mulheres Brasileiras que Fizeram História:Elza Soares

1º Porte Comercial

54.000

1601/agoCarimbos do Período Imperial Brasileiro

R$ 8,00

20.000

1715/agoSérie Mulheres Brasileiras que Fizeram História:Hortência

1º Porte Comercial

54.000

1823/agoSignos do Zodíaco: Virgem

1º Porte Não-Comercial

240.000

1923/agoRally dos Sertões

1º Porte Comercial

240.000

2005/setCentenário da Cripta da Catedral Metropolitana NossaSenhora da Assunção e São Paulo / Catedral daSé

1º Porte Não-Comercial

180.000

2119/setSérie Mulheres Brasileiras que Fizeram História:Hebe Camargo

1º Porte Comercial

54.000

2223/setRiqueza da Fauna Brasileira: Cupinzeiro Luminoso,Preguiça-De-Coleira e Mico-Leão-Preto

2º Porte Comercial

300.000

2323/setSignos do Zodíaco: Libra

1º Porte Não-Comercial

240.000

2404/outSérie Mulheres Brasileiras que Fizeram História:Carolina Maria de Jesus

1º Porte Comercial

54.000

2509/outSérie América – UPAEP: Comidas TípicasBrasileiras

1º Porte Comercial

200.000

2623/outSignos do Zodíaco: Escorpião

1º Porte Não-Comercial

240.000

2704/novSérie Mulheres Brasileiras que Fizeram História:Maria da Penha

1º Porte Comercial

54.000

2822/novSignos do Zodíaco: Sagitário

1º Porte Não-Comercial

240.000

2925/novSérie Relações Diplomáticas:Brasil-Suíça

R$ 2,15

240.000

3025/novNatal 2019

1º Porte Comercial

1.200.000

3103/dezSérie Relações Diplomáticas:Brasil-Finlândia – Tapeçaria

R$ 2,15

240.000

3204/dezSérie Mulheres Brasileiras que Fizeram História:Aracy Guimarães Rosa

1º Porte Comercial

54.000

3322/dezSignos do Zodíaco: Capricórnio

1º Porte Não-Comercial

240.000

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